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SAPO Blogs

Este é o blog da equipa do SAPO Blogs.

Meet the blogger: Jorge Soares

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Esta semana entrevistámos o Jorge Soares, que pergunta há oito anos seguidos O que é o jantar?.

 

O que o faz continuar a blogar ao fim deste tempo?

O Gosto pela escrita, com o tempo tornou-se quase um vício, gosto de partilhar as minhas ideias e de as discutir com o mundo. Através do blog conheci pessoas fantásticas, pessoas da blogosfera e até algumas que nem sequer têm blog mas que de uma ou outra forma se sentiram tocadas ou identificadas com as minhas palavras e decidiram enviar-me um mail.

Porquê "O que é o jantar?"?

Está explicado algures no blog... aqui, o nome foi posto quando eu não tinha uma ideia muito clara sobre a blogosfera e o que queria do blog..... agora não o mudaria por nada.

O feedback dos leitores é decisivo para manter esse ânimo? Que conselhos daria a quem hoje em dia cria um blog e se debate com a falta inicial de feedback dos leitores?

Sim, o feedback dos leitores é muito importante, assim como é muito importante ler e comentar outros blogs, eu ando numa fase em que não tenho muito tempo para ler e comentar outros blogs e nem sempre dou a atenção necessária aos comentários que me deixam...  isso nota-se não só no numero como na qualidade dos comentários que recebo.

A fase inicial de qualquer blog pode ser frustrante durante meses sentimos que estamos a falar para o boneco e isso pode ser desencorajador, nem todo o mundo consegue ter a perseverância suficiente para passar esta fase, a única maneira de a passar é ler e comentar outros blogs, é isso que traz leitores.

Um dos temas que o Jorge já abordou no blog, e que lhe toca perto, é a adoção. O que é importante saber sobre a adoção em Portugal?

Há muitas coisas importantes a saber sobre a adopção em Portugal, a maioria das pessoas tem uma ideia errada sobre a forma como as coisas funcionam, há uma série de mitos e meias verdades que se repetem até na comunicação social.

É por isso que escrevo tantas vezes sobre adopção, já passei por dois processos e acho que é muito importante que as pessoas vão para a adopção com os pés bem assentes no chão e preparadas para o que os espera, a adopção é algo muito importante na vida de quem adopta e de quem é adoptado, não pode nem deve ser visto como um acto de caridade nem como uma forma de ajudar as pobres criancinhas.

Os meus posts sobre adopção deram origem ao blog Nós Adoptamos, que tenho meio abandonado, mas que nunca morre.

Pedimos à anterior entrevistada uma pergunta para o nosso próximo entrevistado, no caso, o Jorge. Aqui fica: "Ainda te lembras da primeira publicação que fizeste no blog?"

Claro que lembro, até porque de vez em quando volto lá ... e acho que é a imagem perfeita do que seria o blog, uma receita que ainda hoje costumo fazer e um comentário sobre uma parvoíce do governo da China.....

 

Obrigado, Jorge!

Meet the blogger: Joana Sousa

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Esta semana entrevistámos a Joana Sousa sobre filosofia, criatividade e blogs.

 

No seu perfil, identifica-se como "sou filósofa". Como é que a Filosofia entrou na sua vida?

A família diz que sempre gostei muito de perguntas, desde pequena. Quando me perguntavam "o que queres ser quando fores grande?" respondia: jornalista - profissão onde o perguntar também é uma constante.
Acho que levei aquilo a que se chama  "idade dos porquês" muito a sério e quando conheci a filosofia no secundário, rendi-me aos seus encantos. Acabei por licenciar-me nesta área. Depois trabalhei na banca, estudei recursos humanos e consultoria até me dedicar à filosofia para crianças.
Em 2008 criei o meu projecto filocriatiVIDAde | filosofia e criatividade e tenho andado um pouco por todo o país - e pelo mundo, pois já estive em Maputo - a promover oficinas de filosofia e criatividade, para crianças e jovens. Também dou formação a pais, educadores, professores e agentes educativos.
Actualmente estou a trabalhar em duas escolas públicas, assegurando aulas de filosofia em seis turmas do 1º ciclo (1º ao 4º ano, entre os 5 e os 10 anos de idade).


No JoanaRSSousa, conta algum do seu trabalho a ensinar Filosofia a crianças. É mais fácil falar de Filosofia a crianças ou adultos?

Boa pergunta. O meu blog JoanaRSSousa foi criado com a intenção de divulgar o meu trabalho, a minha investigação, a minha caminhada no mundo da filosofia. Quando conheci a filosofia para crianças e as suas metodologias percebi que era isso que queria fazer.
Tem sido um desafio constante. É um desafio duplo: "filosofar" com as crianças, tornando os "trabalhos para pensar" em jogos, em actividades lúdicas que os cativem e perante as quais eles sintam alguma relação com a sua vida; o outro lado do desafio relaciona-se com a desconstrução de uma série de tabus e de preconceitos que os adultos têm perante a filosofia em si e sobretudo perante a filosofia para crianças. "Mas a senhora ensina filosofia aos meninos? As obras de Kant?" Nada disso. Nas minhas aulas ou oficinas partimos daquilo que são as coisas, as situações próximas das crianças para poder trabalhar aspectos filosóficos do pensamento. Partimos do princípio que não saber a resposta não é um problema - temos oportunidade de investigar, em conjunto, a resposta - ou as várias que possam existir.
Esta atitude é mais difícil de encontrar nos adultos, que já estão "cheios" de respostas e nem sempre se disponibilizam para investigar, mudar de ideias, errar, voltar atrás e encontrar respostas - ou até mais perguntas.
Voltando à pergunta: é mais fácil com as crianças, sim. O difícil é tornar isso interessante e apelativo para elas, dia após dia.
Um dia um pai encontrou-me à saída da escola e perguntou: "então a senhora é que é a professora de filosofia? há-de me explicar como é que transforma uma pergunta num jogo!". Por isso é que o meu material de trabalho inclui baralhos de cartas, caixas de sapatos, post its - para além de livros e essas coisas que naturalmente se encontram nas salas de aula.

No JoanaRSSousa, escreve várias vezes sobre filocriatividade. O que significa?

filocriatiVIDAde é o nome do meu projecto, que combina duas áreas nas quais trabalho e investigo: a filosofia e a criatividade. Durante o meu percurso académico acabei por estudar e trabalhar algumas técnicas como os mapas mentais (Tony Buzan) e os seis chapéus do pensamento (Edward de Bono); o meu projecto é o resultado do cruzamento das metodologias da filosofia para crianças (Matthew Lipman e Oscar Brenifier) e das técnicas que referi, que me permitiram criar um estilo de facilitadora/formadora próprio.
A expressão que criei une filosofia e criatividade. Coloco a palavra VIDA em maiúsculas precisamente para salientar este aspecto vital, fundamental da filosofia, do pensar, para a vida de cada um de nós.

A Joana escreve em vários blogs. O que é blogar para si?

Costumo dizer que cheguei tarde ao mundo da internet e depois ao mundo dos blogs. Depois de chegar e de lhe tomar o gosto assumo a postura "daqui não saio, daqui ninguém me tira".
Os blogs são espaços de partilha; no meu caso, tenho vários por opções de comunicação.
Um blog relacionado com o meu trabalho, onde partilho as minhas aventuras no país das filosofias.
Outro onde falo de tudo e mais alguma coisa que se passa na minha vida - os filmes, as músicas, os amores, os desamores, a família, os animais, as coisas curiosas que me acontecem no dia a dia.
Já fiz amigos por causa dos blogs - e já me contactaram para trabalhar por causa do blog. Já me aconteceu ser interpelada por "desconhecidos" que me perguntam "Não és a lady bug?" ou "Tu não és a joana sousa da filosofia? Acompanho o teu blog." Acho isso muito positivo e fico contente quando acontece.
Os meus blogs funcionam como uma espécie de "bilhete de identidade" para me apresentar no vastíssimo mundo da internet. Por mais que as redes como o facebook  e o twitter  façam parte da minha vida e da forma como comunico, os blogs são o cantinho, o porto seguro,  onde gosto de "arquivar" momentos (profissionais ou pessoais) que quero partilhar com o mundo.

O que perguntaria ao próximo blogger desta rubrica?

"Ainda te lembras da primeira publicação que fizeste no blog?"

 

Obrigado, Joana!

Meet the blogger: João Pascoal

mmexport1419340144237 (2).jpgO João decidiu continuar os seus estudos na China e criou o blog Ondas Suaves para registar as suas experiências e impressões ao longo do caminho. Colocámos-lhe cinco perguntas por e-mail.

 

Cinco meses depois, qual é o balanço provisório da tua viagem?

O balanço é mais que positivo. Desde o primeiro ano de universidade que ando a estudar sobre a China e por mais expectativas que tivesse, o resultado é ainda melhor.

Porquê a escolha da China para estudar? E como surgiu a ideia de fazer um blog para registar a experiência?

Entrei na universidade em 2008 e o meu objetivo sempre foi a China. Foi quando ainda estudava no secundário que me comecei a debruçar sobre a China e em 2014, quando estava a começar a minha tese de mestrado, surgiu a oportunidade de vir para a China. O Governo Chinês lançou uma bolsa de estudo para cerca de 9 portugueses e felizmente eu fui um dos contemplados.

A ideia do blog surgiu assim que soube que viria para aqui. Como é de conhecimento geral, a maioria das redes sociais que usamos em Portugal estão boqueadas na China, portanto, a melhor solução para partilhar esta aventura com aqueles que se preocupam comigo foi criar um blog no Sapo. Desde que me lembro que a minha homepage é o Sapo e para além disso, enquanto ainda sonhava em vir, fui sempre lendo os blogs do Sapo de portugueses na China. Tenho noção que apareço de paraquedas neste mundo dos blogues e sinceramente nunca esperei ter leitores fora do meu circulo de amigos e familiares. O que acaba por ser gratificante para mim, sinto que dessa maneira tenho a oportunidade de matar a curiosidade de todos aqueles que se interessam por este país e mais importante, tentar de certa forma desmistificar esta cultura que sempre nos pareceu tão díspar.

É muito diferente estudar na China? O grau de exigência é maior? Que conselho darias a quem estiver a pensar repetir os teus passos?

Sem dúvida que estudar na China é completamente diferente. Venho com seis anos de universidade em Portugal (quatro anos na Universidade Nova de Lisboa e dois na Universidade de Aveiro) e a exigência com que me deparei aqui na Universidade de Ningbo foi enorme e no início até de difícil adaptação. No entanto, isso deve-se essencialmente pelo fato de estar a estudar mandarim. No que toca às outras áreas, pelo que tenho percebido das várias conversas que tenho com estudantes internacionais (tanto licenciaturas como mestrados), a verdade é que o sistema de ensino português me parece muito mais exigente e coerente. Isto porque estamos a falar de cursos só para estudantes internacionais, se quisermos fazer uma comparação com os cursos para chineses aí a coisa muda totalmente de figura e não tenho dúvidas em afirmar que aqui o nível de exigência é muito maior. Mas obviamente que tudo varia de universidade para universidade.

No caso de alguém estar a pensar em vir estudar para a China, a minha opinião é que venham assim que conseguirem. Não percam mais tempo a pensar, venham para a China, e assim que chegarem vão perceber o porquê. O melhor conselho que posso dar é livrarem-se da bagagem de estereótipos que os portugueses têm sobre os chineses e ao chegar não tenham receio de abrir os braços a esta cultura.

 

Se a oportunidade se proporcionar, vês-te a ficar na China a trabalhar?

Se me vejo a trabalhar na China é uma das perguntas que mais me têm feito de Portugal. No início estava praticamente fora de questão, mas neste momento, se a oportunidade me surgir não vou pensar duas vezes, ficar já é uma opção mais que válida. Apesar das imensas saudades que já tenho de Portugal.  

Podes partilhar um motivo de entusiasmo recente?

Algo que gostava de partilhar com vocês é o olhar que passei a ter de Portugal, apesar de ainda aqui estar há pouco tempo, a minha visão alterou-se completamente. Olhando daqui, o nosso pais é uma desilusão constante, e digo-o com a maior das tristezas. Nem falo dos políticos, o alvo preferencial das conversas de café, falo das pessoas que votam neles. Falamos mil e uma coisas dos chineses e de todos os outros povos, maioria das vezes com desdém e repúdio (como bem tenho visto pela internet fora), mas nunca pensamos em nós mesmos. Ao experienciar o quotidiano destas pessoas fiquei a perceber o que é viver na luta pelo melhorar de um país. Os problemas financeiros, políticos e religiosos (que no caso europeu tanto nos têm abalado) ficam para trás. O foco está bem definido e o caminho é feito com o esforço de todos.

Sinto agora que nós ficámos parados no sinal verde, enquanto o resto do mundo lá seguiu quando o sinal mudou. Parece que estamos estagnados na glória da nossa história enquanto todos os outros deixaram a história, procurando glória.

 

Obrigado, João!

Meet the blogger: Magda Pais

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A blogger desta semana é a Magda Pais, autora do StoneArt Portugal, o blog onde escreve sobre as suas leituras e quotidiano.

 

Porque criou um blog? E o que ganha em ter um?

A história do nascimento do meu blog tem alguma piada e é um bocadito longa. Até 2007 eu não escrevia. Quer dizer, escrevia o que todos escrevemos, claro (com muito ênfase para actas de condomínios…) mas não de forma criativa. Em 2007, e enquanto frequentadora e comentadora assídua do Luso-poemas.net, fui sendo desafiada por outros utilizadores para passar a publicar textos meus. Com alguma dificuldade lá cedi e comecei a escrever naquele site. Mais tarde, já em 2008, eu e mais um grupo de amigos estávamos a organizar um evento e todos – excepto eu – tinham um blog. Daí que, numa determinada noite, eles decidiram que eu devia ter blog e foram eles que o criaram, no Blogspot. E até 2010 foi lá publicando algumas coisas. Depois o blog foi violado (no Blogspot) e eu acabei por o mudar para esta plataforma (e aqui um agradecimento público à equipa do SAPO Blogs que, na altura, e com muita paciência e sapiência, me deram todas as explicações e toda a ajuda que uma aselha, como eu, precisou para fazer a importação sem perder textos e/ou comentários).

Esta decisão, a da mudança para este bairro, foi das melhores decisões que eu tomei enquanto bloguista.

Entretanto fui-me desleixando com o blog e o ano passado, no início do verão, decidi que devia recomeçar a escrever, para mim, e pronto, aqui ando.

O que ganho com o blog? Acho que os ganhos são imensos. O carinho e a amizade são, sem dúvida, as duas coisas principais. Reconhecimento pelo que vou escrevinhando, não só pela equipa do SAPO Blogs, com os destaques que vai dando (e que sabem sempre bem) mas também (e, sinceramente e sem desprimor, mais importantes para mim) de outros bloguistas. A possibilidade de discutir, com outros bloguistas, nos comentários, as opiniões diferentes que cada um tem, levando-nos a analisar os temas por outros prismas também é, quando a mim, um ganho (assim o autor a saiba utilizar…)

 

Porquê "Stone art Portugal"?

Quando comecei a frequentar sites de escrita – luso-poemas, escritartes, blogs, etc – tive de escolher um nick/pseudónimo porque não queria identificada. Escolhi, na altura, o nome do poema que mais gosto: Pedra Filosofal. Aos poucos foi desaparecendo a minha necessidade de estar anónima mas o nome manteve-se. Mais tarde a Pedra Filosofal passou a Pedra e depois a Stone. Quando criaram o meu blog não houve dúvida – Stone tinha de lá estar. E como era para publicar as minhas coisas, “a minha arte”, ficou stoneart. Acrescentou-se Portugal porque é o meu país, que eu adoro (apesar de tanta coisa que, por cá, me desilude) e porque stoneart já existia, no Blogspot. Ficou então stoneartportugal.

Quando me mudei, de armas e bagagens para o SAPO Blogs fiz questão de manter o nome do blog pelo significado que tem. Por uns tempos, e apesar de ter a foto e de estar perfeitamente identificada, mantive, como nome de autora, Stone. Depois passou a Magda mas o carinho que tenho pela Stone mantêm-se – afinal foi como Stone que comecei a escrever.

 

Para quem não conhece o seu blog, que post começaria por recomendar?

Ui, nunca fui boa a advogar em causa própria. Mas talvez Eu & e os meus 16.436 dias que é um texto autobiográfico publicado no dia em que fiz 45 anos ou Eu & as leituras que explica em que condições gosto de ler (na prática é em todas, mas adiante). E como sou tão “boa” a advogar em causa própria como a seguir instruções, recomendarei também o post que tem mais favoritos - Eu & os Blogs & os Destaques.

 

A Magda já bloga desde 2008. Que diferenças sente na forma como blogava no início e bloga hoje?

No meu caso pessoal há grandes diferenças nos textos. Inicialmente pedia a alguém um tÍtulo e depois divagava (bem ou mal) sobre esse tema. Hoje em dia divago sobre o que me dá na cabeça – pode ser uma conversa no táxi, uma resposta engraçada dos meus filhos, uma notícia ou a minha opinião sobre um livro que acabei de ler – entre outras coisas.

Há também que referir a interacção com quem nos lê. Lá atrás, em 2008, havia muito pouca interacção. Comentava-se “por obrigação”, porque nos comentavam. Os blogs só existiam mesmo nas plataformas onde tinham sido criados e dar a conhecer o nosso blog era uma tarefa hercúlea, porque tínhamos de visitar e comentar outros blogs constantemente. Hoje, com o facebook e o bloglovin (entre outros e passe-se a publicidade) consegue-se uma maior visibilidade, e podemos acompanhar, de mais perto, aqueles blogs que tratam de temas que nos interessam. Claro que visitar e comentar os outros blogs ainda a melhor forma de nos darmos a conhecer mas já não é a única.

Confesso que cheguei a pensar que, com o facebook, os blogs acabariam por diminuir mas vejo hoje que se completam. E ainda bem!

 

Um motivo de entusiasmo recente (um livro, uma viagem no horizonte, um novo hobby, etc)?

Livros são sempre motivo de entusiasmo para mim. Tenho lá uns 50 à espera de vez para serem lidos e estou entusiasmada, de igual modo, com cada um deles. A leitura é o meu hobby mais antigo e aquele que acho que vai perdurar.

Adoro viajar e este ano estava tudo pensado para ir a Edimburgo. Teremos de adiar por um ano, por isso o melhor é nem pensar no assunto.

Estou deveras entusiasmada com o novo blog Aprender uma coisa nova por dia e por isso deixem-me contar-vos o que é e como nasceu.

Em Outubro do ano passado e eu e a Sofia Margarida, a propósito de eu lhe ensinar qualquer coisa (já não me lembro bem o quê), comentamos que Aprender uma coisa nova por dia, nem sabe o bem que lhe fazia! Daí a nascer uma rubrica, nos nossos dois blogs, com esse título, foi um passinho. Aos poucos mais bloguistas resolveram participar e cada um publicava, no seu blog, a rubrica e os outros colocavam o link na lateral do seu próprio blog. Acabamos por decidir criar um blog que nasceu no final de Janeiro deste ano. Neste momento temos nove bloguistas que, diariamente e à vez, colocam a sua participação na rubrica e mais três bloguistas que participam esporadicamente.

Como é muito recente, ainda há arestas a limar, mas estou (aliás, estamos – eu e a Sofia – as mães) muito entusiasmada. Gostava que continuasse a crescer, cada vez com mais participantes, a par, claro, do Stone Art Portugal que quero continuar a alimentar com as minhas opiniões sobre os livros e com coisas do dia-a-dia.

 

Obrigado, Magda!

 

Novos templates

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Os mais atentos já podem ter reparado que há três novos templates para escolher na área de personalização do SAPO Blogs: o Vogue e o Listrado, idealizados pela Isa Costa, e o Sobrescrito. São os primeiros templates que lançamos em 2015 e incluem alguns detalhes novos que podem querer espreitar, a começar por uma das funcionalidades mais pedidas pela comunidade: excertos automáticos de posts com imagens (no template Sobrescrito).

 

Estamos curiosos para ver como personalizam estes novos templates! Deixem o vosso feedback nos comentários!

Meet the blogger: Miguel Alexandre Pereira

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As nossas cinco perguntas desta semana foram para o Miguel Alexandre Pereira, autor do Um Mar de Recordações.

 

Como surgiu a ideia para criar um blog? E que ambição, se alguma, serve o blog?
A ideia surgiu numa altura em que queria melhorar a minha escrita, sempre tive o sonho de publicar um livro e para isso precisava de evoluir na componente literária. Assim sendo, embarquei nesta aventura. Quis ter uma espécie de responsabilidade para construir histórias e contos com maior frequência. Além disso, este espaço acabava por ser um teste para ver se as minhas palavras interessavam os outros. Se havia alguém que gostasse daquilo que estava a produzir. No fundo, o Um Mar de Recordações foi ao longo dos anos um tubo de ensaio para a minha entrada no mundo dos livros.
 
Porquê o nome Um Mar de Recordações?
Esse foi o meu primeiro dilema na construção do blogue. Queria um nome chamativo, confesso que andei a volta com ele durante algum tempo. Mas depois surgiu este nome até com alguma naturalidade. O meu desejo é deixar presente alguns dos momentos mais importantes que atravesso e os meus gostos pessoais, daí ter-se tornado um álbum de recordações virtual. Confesso que é um blogue que tenho imenso carinho e tem uma grande importância na minha vida.
 
O Miguel é um dos autores mais seguidos no SAPO Blogs. Alguma recomendação para quem está a começar um blog no SAPO?
O crescimento acontece com naturalidade, o importante é partilhar algo que realmente gostamos. O primeiro objectivo tem de ser sempre construir um espaço com um conceito cativante. Depois disso é necessária muita paciência, é normal nos primeiros textos não haver muitos comentários. Não desanimar é fundamental, além de um trabalho e de uma dedicação constante. Caso o trabalho apresentado tenha qualidade e seja criativo, as pessoas vão começar a aparecer. Isso vai aumentando com tempo e com a interacção que se vai tendo com a comunidade.
 
O ano passado, o Miguel passou a ser um autor publicado em livro. Como foi essa experiência?
Foi a concretização de um sonho de infância, ter publicado A Analogia da Morte foi uma sensação incrível. Os primeiros dias foram uma tempestade de emoções, foi fantástico o apoio que recebi tanto dos meus amigos como da comunidade. Nunca pensei que tivesse tanta ajuda e estou bastante grato a todos. Vocês tem feito este sonho crescer cada vez mais! A verdade é que a publicação deste primeiro livro foi o início de uma jornada que ambicionava bastante e que me deu ainda mais força para continuar a trilhar o caminho que tanto desejo. Espero em breve ter muitas e boas novidades para anunciar…
 
Um livro que esteja a pensar ler em 2015?
Neste momento estou a tentar acabar de ler todos os livros que tenho na minha estante, confesso que ultimamente o tempo para ler tem sido um pouco escasso. Mas este ano espero que seja um ano de boas leituras. Em 2015, vou estar mais focado nos grandes clássicos da literatura mundial, com especial destaque para Victor Hugo, Fiódor Dostoiévski e Oscar Wilde. Não há nada melhor do que ler um bom livro!

 

Obrigado Miguel!

Meet the blogger: Ângela Santos

princesasemtiara.jpgColocámos cinco perguntas à Ângela Santos, autora do Princesa sem Tiara, descrito pela própria como "o cantinho feminino de uma apaixonada por moda".

 

Pode apresentar-se?

Bracarense, de 22 anos, tenho o coração na boca e a escrita no coração. A moda é paixão antiga, de uma filha única que desde pequena agarrada às séries, conheceu histórias e mundos como o da Rachel Zoe e, hoje já licenciada em Solicitadoria o mundo profissional é uma azáfama que percorre com gosto e prazer. Acompanhada pela mais recente máxima ou vogue nos regressos a casa, a moda não é um cliché mas um mundo de fascínio. Sentimentalista, humilde e ambiciosa. Por que o mundo tem tanto para oferecer e eu não nasci para estar parada.

Um post que recomende a alguém que chega pela primeira vez ao "Princesa sem Tiara"?

Recomendo o post Elegantemente, acima do joelho. É dos posts que unifica melhor as minhas duas paixões: a escrita e a moda. Uma moda pessoal numa escrita literária.


Num dos seus posts mais recentes, fala sobre as resoluções para 2015. Pode partilhar connosco uma resolução de 2014 que tenha deixado por cumprir?

Uma resolução que estabeleço no início de cada ano e, ano após ano é viajar. Fico rendida, sempre que ligo a televisão ou folheio uma revista e vejo lugares que jamais pensei que existissem e culturas tão diferentes. Temos um país, um mundo à nossa espera. Cabe-nos a nós decidir conhecê-lo.

Pode recomendar-nos outro blog no SAPO que siga?

A Melhor Amiga da Barbie. Gosto do seu registo pessoal sempre atento às últimas tendências.

Um motivo de entusiasmo recente (um livro, uma viagem no horizonte, etc)?

Uma viagem no horizonte: Paris. Um sonho de menina.

Meet the blogger: Henrique Monteiro

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Esta semana destacamos o Henrique Monteiro, cartoonista do SAPO e autor do HenriCartoon desde 2008. Na semana passada, numa iniciativa dedicada à liberdade de expressão, transformou todas as notícias na homepage do SAPO em cartoons. Rompemos com o nosso  formato de cinco perguntas para questionarmos o Henrique sobre essa experiência e a sua perspetiva como cartoonista dos atentados em Paris no dia 7.

 

Nos teus cartoons, e no post que publicaste logo no dia 7, ficou claro como te sentiste próximo do que aconteceu em Paris, na redação do Charlie Hebdo. Como cartoonista, sentiste-te visado por aquele ato de terror?

Senti-me sobretudo visado como pessoa que não consegue sequer imaginar como seria a sua vida sem a liberdade em todas as suas formas.

Conhecias a publicação? Qual é a tua leitura do seu trabalho? 

Eles têm um critério editorial que jamais seria o meu. No entanto não discuto e concordo que se deve criticar e satirizar o terrorismo que se justifica em nome de uma divindade. Isso envolve riscos, mas a liberdade envolve riscos. A liberdade de expressão deixaria de existir a partir do momento em que o medo a condicionasse. E isso seria mais devastador do que uma guerra.

O teu cartoon de dia 7 surge acompanhado de um texto teu, algo que é raro ver no Henricartoon. Foi a primeira vez que sentiste que um cartoon não bastava?

Na verdade foi a Ana Gomes que me pediu um desenho sobre o tema acompanhado por um pequeno texto e eu, como sabes, não nego nada à Ana. De resto, e como uma vez me disse o Júlio Isidro aqui há uns anos, expresso-me melhor com o desenho do que com as palavras (ainda hoje estou amuado com ele por causa disso)

O texto foi “à flor da pele”. Ainda estava um pouco aturdido pelo desenvolver dos acontecimentos. Quis sobretudo deixar explícito que a liberdade de expressão tem a importância do ar que respiramos.

 

No dia 12, fizeste o trabalho de uma mini-redação de cartoonistas, a desenhar, em tempo real, a atualidade nacional para a homepage do SAPO (página desse dia em arquivo). Como surgiu a ideia e o que achaste da experiência?

A ideia não foi minha, e tenho pena. Foi da equipa do SAPO. A Ana ligou-me com esse desafio e eu aceitei na hora. Confesso que gosto de desenhar sem rede. A primeira ideia que surgia para cada tema era a que ia para o papel (mesa gráfica, no meu caso). Correu tudo muito bem.

Quão cansativo foi desenhar assim tantos cartoons no mesmo dia? E que feedback recebeste, em relação à homepage e aos cartoons que foste fazendo ao longo da semana?

Cansativo foi, mas eu gosto muito da sensação que se tem a seguir a um longo e árduo dia de trabalho. É assim uma espécie de descanso do guerreiro. Um tipo sente-se um senhor com os frutos de um trabalho bem conseguido.

O feedback foi fantástico. Todos gostamos do resultado final, começando pelo próprio SAPO e estendendo-se aos frequentadores do portal. Foi um sucesso que, espero, se repita mais vezes, com novas e desafiadoras ideias.

 

A iniciativa de dia 12, que mensagem achas que passou para os visitantes da homepage do SAPO?

Acho que foi um bom contributo para consciencializar as pessoas de que o cartoon, e o humor em geral, é uma parte indispensável na nossa vida e que a graça é um aliado eficaz das coisas mais sérias. Serviu sobretudo para desmontar aquela máxima teimosamente enraizada e errada de que não se brinca com coisa sérias.


Como descobriste a tua vocação cartoonista?

Antes do SAPO eu ilustrava textos de jornais. Alguns mais sob a forma de cartoon do que outros. Foi com o Henricartoon que eu me experimentei na caricatura sem textos de outrem, e foi o cabo dos trabalhos. Refugiei-me, logo no primeiro cartoon, na figura do Alberto João Jardim, e com essa figura é difícil falhar. De desenho em desenho fui percebendo que não me dava mal com o formato. Foi no SAPO, portanto, que eu entrei neste maravilhoso mundo de escarnecer da malta toda. 


Os teus alvos diários no Henricartoon são sobretudo figuras da atualidade (políticos e desportistas). Costumas receber feedback das pessoas visadas pelos teus cartoons?

Não. E não sei se é por não ligarem a cartoons se é por os acharem inofensivos. Em Portugal a caricatura política e desportiva não tem grande peso fraturante. Além do mais eu não costumo ser muito polémico. Tenho este ”defeito” de fazer mais cartoons consensuais sobre temas polémicos do que vice-versa.. Prefiro fazer rir do que fazer pensar. Não sou, portanto, um cartoonista na mais pura conceção da palavra.

Tirando a experiência de dia 12, é fácil encontrar todos os dias um tema para caricaturar? A nossa atualidade é especialmente dada a ser transformada em cartoon? 

A internet inunda-nos de temas todos os dias. Isso, para mim, raramente é um problema. Encontram-se dezenas de temas só a abrir um site de informação. O desafio para um caricaturista, sobretudo numa democracia, é transformar o banal em piada. À falta de temas que atentem verdadeiramente à nossa dignidade (notícias como o massacre no Charlie Hebdo são, felizmente, coisa rara numa sociedade democrática) temos de apostar tudo no político que prevaricou ou no jogador que falhou o penálti.

Podes partilhar connosco a tua rotina diária no Henricartoon, desde a ideia para um cartoon até à sua publicação?

Não tem nada de romântico. Normalmente faço os desenhos pela madrugada fora. Não tenho rotinas muito vincadas. E como sou um procrastinador nato gosto de preguiçar em “zappings” à internet antes de me debruçar sobre os temas a caricaturar. Agora tudo isso está mais difícil de concretizar já que tenho um pequenito para mimar e isso leva-me uma boa dose de tempo.


Já tiveste algum caso de alguém que tenha ficado desagradado com um dos teus cartoons e tenha pedido para o removeres? Qual é, ou qual seria, a tua resposta numa situação dessas?

Tive agora há uns dias um engraçado. Uma senhora indignada enviou um mail à redação do SAPO a insurgir-se contra o “feíssimo rabo de mulher” no tag da Sociedade, no blogue Henricartoon. É fantástico como as pessoas se indignam com coisas que jamais imaginaria poder haver indignação.

De resto recebo bastantes comentários para remoção de cartoons, sobretudo os que abordam a religião e a homossexualidade.

Geralmente não respondo mas não censuro quem não goste ou ache abusivo um ou outro cartoon meu. A indignação também é um direito anexado à liberdade.

 

Obrigado, Henrique!

Já espreitaram a homepage do SAPO?

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Vão espreitar, vale a pena!

(fica o screenshot, para quem perder, e um abraço para o Henricartoon, hoje a fazer turno especial na homepage)

Meet the blogger: Alexandre Guerra

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As nossas 5 perguntas desta semana foram para o Alexandre Guerra, autor d'O Diplomata e do Piar.

 

Participa em dois blogs, um sobre política e relações internacionais e o outro, relações públicas. O que mais lhe interessa em cada uma destas áreas?

Nas Relações Internacionais é fascinante acompanhar a dinâmica que existe entre os Estados e, cada vez mais, entre estes e organizações internacionais. É também interessante notar que, com o advento da globalização e com o aparecimento das novas formas de comunicação, os povos surgiram com uma voz activa no sistema internacional. Também a Política, seja numa lógica mais clássica – como aquela a que se referia Aristóteles –, seja numa abordagem mais mundana – ou seja as “politics” –, é apaixonante, já que lida com as questões de poder e com modelos de governança das sociedades. São precisamente as questões de poder que muitas vezes se cruzam com a actividade das relações públicas ou da consultoria de comunicação e que, cada vez mais, serve de inspiração para filmes de Hollywood ou para inúmeras séries. Naturalmente, que há uma outra componente muito interessante das relações públicas, que se prende com a comunicação institucional das empresas e organizações.

 

Que facto ou personalidade destaca positivamente em Portugal na área da comunicação em 2014?

A capacidade de resiliência e de adaptação das empresas que apostam e actuam no sector da comunicação, seja imprensa, agências, departamentos de relações públicas, anunciantes, entre outros. Penso que em 2014 se assistiu a uma estabilização da situação e que o pior, talvez, já tenha ficado para trás, depois de terem sido feitos, nos anos anteriores, ajustes muito duros em todos os “players” do sector… sem excepção.

 

2015 é ano de eleições. Que sugestão daria às campanhas dos vários partidos para mobilizarem os eleitores?

Nas actuais estruturas partidárias é necessária uma injecção de inspiração e de talento que as dote da capacidade para inovar no modelo da campanha para as próximas eleições legislativas. Existe um paradigma obsoleto e estático de comunicação política em Portugal que continua a fazer escola (basta ver os congressos partidários deste ano, os discursos políticos, os tempos de antena, e por diante). É certo que nas últimas eleições europeias já se viram algumas melhorias, mas estamos a falar de questões instrumentais e tão óbvias que já não podiam ser ignoradas. A verdade é que enquanto os líderes partidários nacionais não interiorizarem e sentirem uma nova forma de estar na política (o “novo político”), de pouco servirão os conselhos e as sugestões dos melhores profissionais da comunicação política. Para se mobilizar o eleitorado, primeiro é preciso conhecê-lo. Assim, talvez fosse útil que os líderes partidários, antes de partirem para uma batalha eleitoral, reflectissem sobre aquilo que os separa de um adolescente de 18 anos, de um recém-licenciado de 23, de um jovem empreendedor de 32, de um chefe de família de 40, de um funcionário público de 45, de um desempregado de 55, de um reformado com 70…

 

A nível pessoal, tem alguma resolução para o novo ano?

Há sempre coisas que ficaram por fazer e outras novas que se querem fazer… Pelo meio, espero poder escrever mais assiduamente n’O Diplomata e contribuir com mais regularidade no esforço colectivo para o PiaR.

 

Pode recomendar outro blog que acompanhe no SAPO?

Embora não precise de apresentações nem de recomendações, o Delito de Opinião é um dos blogues colectivos que acompanho, não apenas pela qualidade da sua escrita e ideias, mas pela diversidade dos temas.

 

Obrigado, Alexandre!