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Meet the blogger: João Pascoal

mmexport1419340144237 (2).jpgO João decidiu continuar os seus estudos na China e criou o blog Ondas Suaves para registar as suas experiências e impressões ao longo do caminho. Colocámos-lhe cinco perguntas por e-mail.

 

Cinco meses depois, qual é o balanço provisório da tua viagem?

O balanço é mais que positivo. Desde o primeiro ano de universidade que ando a estudar sobre a China e por mais expectativas que tivesse, o resultado é ainda melhor.

Porquê a escolha da China para estudar? E como surgiu a ideia de fazer um blog para registar a experiência?

Entrei na universidade em 2008 e o meu objetivo sempre foi a China. Foi quando ainda estudava no secundário que me comecei a debruçar sobre a China e em 2014, quando estava a começar a minha tese de mestrado, surgiu a oportunidade de vir para a China. O Governo Chinês lançou uma bolsa de estudo para cerca de 9 portugueses e felizmente eu fui um dos contemplados.

A ideia do blog surgiu assim que soube que viria para aqui. Como é de conhecimento geral, a maioria das redes sociais que usamos em Portugal estão boqueadas na China, portanto, a melhor solução para partilhar esta aventura com aqueles que se preocupam comigo foi criar um blog no Sapo. Desde que me lembro que a minha homepage é o Sapo e para além disso, enquanto ainda sonhava em vir, fui sempre lendo os blogs do Sapo de portugueses na China. Tenho noção que apareço de paraquedas neste mundo dos blogues e sinceramente nunca esperei ter leitores fora do meu circulo de amigos e familiares. O que acaba por ser gratificante para mim, sinto que dessa maneira tenho a oportunidade de matar a curiosidade de todos aqueles que se interessam por este país e mais importante, tentar de certa forma desmistificar esta cultura que sempre nos pareceu tão díspar.

É muito diferente estudar na China? O grau de exigência é maior? Que conselho darias a quem estiver a pensar repetir os teus passos?

Sem dúvida que estudar na China é completamente diferente. Venho com seis anos de universidade em Portugal (quatro anos na Universidade Nova de Lisboa e dois na Universidade de Aveiro) e a exigência com que me deparei aqui na Universidade de Ningbo foi enorme e no início até de difícil adaptação. No entanto, isso deve-se essencialmente pelo fato de estar a estudar mandarim. No que toca às outras áreas, pelo que tenho percebido das várias conversas que tenho com estudantes internacionais (tanto licenciaturas como mestrados), a verdade é que o sistema de ensino português me parece muito mais exigente e coerente. Isto porque estamos a falar de cursos só para estudantes internacionais, se quisermos fazer uma comparação com os cursos para chineses aí a coisa muda totalmente de figura e não tenho dúvidas em afirmar que aqui o nível de exigência é muito maior. Mas obviamente que tudo varia de universidade para universidade.

No caso de alguém estar a pensar em vir estudar para a China, a minha opinião é que venham assim que conseguirem. Não percam mais tempo a pensar, venham para a China, e assim que chegarem vão perceber o porquê. O melhor conselho que posso dar é livrarem-se da bagagem de estereótipos que os portugueses têm sobre os chineses e ao chegar não tenham receio de abrir os braços a esta cultura.

 

Se a oportunidade se proporcionar, vês-te a ficar na China a trabalhar?

Se me vejo a trabalhar na China é uma das perguntas que mais me têm feito de Portugal. No início estava praticamente fora de questão, mas neste momento, se a oportunidade me surgir não vou pensar duas vezes, ficar já é uma opção mais que válida. Apesar das imensas saudades que já tenho de Portugal.  

Podes partilhar um motivo de entusiasmo recente?

Algo que gostava de partilhar com vocês é o olhar que passei a ter de Portugal, apesar de ainda aqui estar há pouco tempo, a minha visão alterou-se completamente. Olhando daqui, o nosso pais é uma desilusão constante, e digo-o com a maior das tristezas. Nem falo dos políticos, o alvo preferencial das conversas de café, falo das pessoas que votam neles. Falamos mil e uma coisas dos chineses e de todos os outros povos, maioria das vezes com desdém e repúdio (como bem tenho visto pela internet fora), mas nunca pensamos em nós mesmos. Ao experienciar o quotidiano destas pessoas fiquei a perceber o que é viver na luta pelo melhorar de um país. Os problemas financeiros, políticos e religiosos (que no caso europeu tanto nos têm abalado) ficam para trás. O foco está bem definido e o caminho é feito com o esforço de todos.

Sinto agora que nós ficámos parados no sinal verde, enquanto o resto do mundo lá seguiu quando o sinal mudou. Parece que estamos estagnados na glória da nossa história enquanto todos os outros deixaram a história, procurando glória.

 

Obrigado, João!

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